Fez, ontem, 25 anos que foi aprovada, na Assembleia da República, a “Lei do Mirandês”. A única “forma de lei” que reconhece os direitos linguísticos da comunidade mirandesa. Júlio Meirinhos foi responsável por todo o processo, era deputado na assembleia. Lembra que foi um caminho difícil até que todos os partidos estivessem do seu lado:
“Foram negociações difíceis, eu costumo dizer que alguns almoços derreteram a simpatia pela língua mirandesa, mas no início não era algo que nos afigurasse fácil, mas transformou-se num processo, com calma e convicção, de grande simpatia de todos os grupos parlamentares.”
Júlio Meirinhos reconhece que a aprovação da lei foi um marco histórico e que serviu para mudar a maneira como as pessoas olhavam para a língua mirandesa:
“O Estado Novo, a própria igreja, e há até decretos do bispo da diocese que proibiam rezar em mirandês e, portanto, havia uma pressão sobre as crianças para não falarem o mirandês. As pessoas sentiam-se envergonhadas, não estavam à vontade, tentavam falar o fidalgo e com a lei isso mudou radicalmente, passou a haver um orgulho, uma proa em falar mirandês”
Contudo, segundo um estudo da Universidade de Vigo, o mirandês vai desaparecer em 20 anos porque apenas 2% dos jovens usam a língua. Alfredo Cameirão, presidente da Associação da Língua e Cultura Mirandesa, diz que para que isso não seja uma realidade é preciso pôr algumas medidas em prática:
“O mirandês desaparecerá se não forem tomadas medida enérgicas, nomeadamente concretização das medidas da Carta Europeia, a criação de uma entidade que possa responsabilizar-se pela língua, o melhoramento da presença do mirandês nas escolas e também reforçar e intensificar a presença do mirandês no quotidiano dos mirandeses.”
Alfredo Cameirão diz que a escola é o futuro da língua, que é uma disciplina extra curricular, ensinada no Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro. A ideia era que fosse curricular e que houvesse livros para a estudar:
“A língua mirandesa pode transformar-se numa disciplina curricular e pode também aprender-se na escola, não só mirandês mas também podem ser dados passos no sentido de se poder aprender outras disciplinas, como Matemática, Biologia e Física em mirandês”
Segundo um estudo, deste ano, da Universidade de Vigo, há 1500 que são capazes de falar regularmente a língua.
INFORMAÇÃO CIR (Rádio Brigantia)

