Monitorização de corços acontece amanhã no cercado de Grijó e Vilar do Monte

Pelo sétimo ano consecutivo, mais de uma centena de pessoas reúne-se amanhã no cercado de Grijó e Vilar do Monte, no concelho de Macedo de Cavaleiros, para uma monitorização de corços.

Inicialmente, a atividade juntava poucos participantes, mas ao longo dos anos tem vindo a captar a atenção de investigadores e estudantes da área, como explica Raul Fernandes, presidente da Associação de Caçadores de Grijó e Vilar do Monte:

“Com esta atividade monitorizamos os corços, marcamos os que não estão marcados e fazemos uma avaliação do seu estado físico e do seu desenvolvimento, assim como do seu estado sanitário. Fazemos recolha de amostragem para análise de forma a termos uma informação mais fidedigna sobre a qualidade da nossa população de corços.

Esta ação envolve muitos jovens alunos do IPB e da UTAD, que este ano, entre licenciaturas e mestrados, são na ordem dos 100. É uma experiência nova e um contacto que têm com uma espécie que não é de fácil observação. Os próprios alunos se motivam a fazer aqui os seus trabalhos de final de licenciatura, que neste momento são já seis realizados no cercado, tendo como protagonista o corço.”

 

O cercado tem cerca de 35 hectares e está localizado na linha de fronteira entre Vilar do Monte e Grijó, na Serra de Bornes. Os corços são monitorizados diariamente através de câmaras instaladas que fornecem imagens do seu comportamento.

Atualmente, a comunidade de corços conta com 25 exemplares da espécie, sendo que sete nasceram este ano e têm apenas oito meses.

Amanhã, dois deles vão ser libertados para perceber qual a sua atitude em zona de caça, e outros cinco serão enviados para Beja, para a Zona de Caça Turística de Serpa:

“É a terceira vez que enviamos corços para uma zona de caça turística de Beja, pretendendo assim explorá-lo enquanto espécie cinegéticae repovoar aquela zona de caça.”

 

Segundo Raul Fernandes, há cada vez mais interessados em observar a espécie, e por isso, os planos futuros passam por criar um cercado mais pequeno onde haja um casal de corços que possa ser observado mais facilmente:

“Estamos em vias de criar aqui um cercado mais pequeno para sediar um casal de corços, de forma a que as pessoas possam vir ao cercado de uma forma ordenada observar esta espécie, como acontece no Parque Biológico de Vinhais. Acreditamos que durante o próximo ano já faremos isso.”

 

Para já estão confirmadas 140 pessoas para participarem nesta monitorização de corços que decorre amanhã, ao longo de todo o dia.

Em Portugal o corço esteve extinto em todos os  terrenos de caça do território nacional, durante os três primeiros quartos do século passado. Apenas se conheciam raros exemplares da espécie no distrito de Bragança.

 

Escrito por ONDA LIVRE