As escolas do Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros, à exceção do Jardim-de-Infância de Travanca, estão todas encerradas esta sexta-feira devido à greve dos professores e restantes profissionais da educação, cuja adesão ronda os 100%.
No dia em que os sindicatos se voltam a sentar à mesa com o Ministro da Educação, os professores estiveram em protesto em frente à escola sede do Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros.
De acordo com o professor Carlos Moura, que embora não seja sindicalizado, juntou-se ao protesto, as propostas já apresentadas pelo Governo ainda estão longe de responder às necessidades da classe:
“O que o Governo está a fazer é algo a que, no fundo, já estaria obrigado, através da vinculação.
Ao mesmo tempo não está a responder às necessidades da classe pois há uma grande perda do ponto de vista financeiro e existem injustiças ao nível das quotas.”
A falta de atratividade a profissão para as gerações mais novas também preocupa os professores:
“Um jovem que queira vir hoje para a classe de docente, noutra profissão conseguirá, com relativa facilidade, auferir mais, por isso é óbvio que irá optar pela que lhe é mais rentável.
Vamos perder algo que é fundamental que são aqueles a quem passar o testemunho. Como geração mais adulta temos a responsabilidade de educar a próxima geração o melhor possível.
Esse desinvestimento está a trazer-nos problemas e por mais que se invista agora na educação, os próximos anos serão muito graves.”
Apesar de concordarem com a causa que move os professores, os alunos sentem que estão a ser prejudicados na aprendizagem:
“Claramente porque estamos a perder muito tempo de estudo quando temos exames nacionais pela frente e uma média para garantir. No entanto, concordo com as queixas dos professores pois ninguém merece. Era a mesma coisa que o professor chegar à sala de aula e dizer que três mereciam 18 valores mas só poderia atribuí-lo a um.”
“No final do ano vamos ter exames e isto está-nos a prejudicar imenso pois não estamos a dar a matéria.
Por um lado concordo com as reivindicações dos professores mas por outro não.”
“Prejudica pois alguns pais não têm com quem deixar os filhos e os alunos das aldeias têm de acordar cedo por causa dos autocarros.
Sem as greves acho que podia aprender mais.
Concordo com os professores pois muitos alunos não os respeitam.”
Esta manhã, docentes de todo o distrito vão concentrar-se na Praça da Sé, em Bragança, a partir das 11h, para apresentarem uma moção.
Escrito por ONDA LIVRE



